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AVALIAÇÃO DO USO DE EXTRATO DE TIMO (TIMULINA) EM PACIENTES
COM
NEOPLASIA MALIGNA SUBMETIDOS AO TRATAMENTO CIRÚRGICO
EVALUATION OF THE USE OF THYMUS EXTRACT (TIMULINA) IN PATIENTS
WITH
NEOPLASIC DISEASE SUBMITTED TO THE SURGICAL TREATMENT
RESUMO: Objetivo: Avaliar a ação da timulina em pacientes com
neoplasia maligna, submetidos ao tratamento, com e sem
quimioterapia e radioterapia complementar (QT/RT). Método:
Estudo retrospectivo realizado em 50 pacientes, analisando as
variações das taxas de leucócitos, linfócitos totais e da
relação de linfócitos CD4/CD8 após imunoestimulação com
timulina.
Resultados: No grupo submetido à QT/RT ocorreu um aumento do
número de leucócitos após seis meses em 43,33% dos casos, e em
83,33% após 12 meses. Com relação aos linfócitos totais, após
seis meses, 63,33% apresentaram níveis maiores, e depois de 12
meses isto ocorreu em casos 90% dos casos.
A relação de linfócitos CD4/CD8 mostrou um aumento em 66,66%,
e em 90% depois após 6 e 12 meses respectivamente.
A análise estatística se mostrou significante com o teste de
ANOVA one way.
No grupo não submetido à QT/RT a elevação dos níveis de
leucócitos ocorreu em 85% dos pacientes aos seis meses e em
90% aos 12 meses.
As taxas de linfócitos se elevaram em 60% dos casos em seis
meses e em 85% após 12 meses.
A relação CD4/CD8 se tornou maior tanto aos seis como aos 12
meses em 65%.
A análise estatística mostrou relevância com o teste “t” de
Student e o de ANOVA one way.
Não houve necessidade de interrupção dos ciclos de QT/RT e
nenhum paciente referiu intolerância à timulina.
Conclusão: O uso da timulina foi capaz de restaurar a resposta
imune, reduzir os danos imunossupressores e colaterais
induzidos pela terapia antineoplásica e não apresentou efeitos
colaterais (Rev. Col. Bras. Cir. 2007; 34(4): 225-231).
Descritores: Extratos de timo; Neoplasias; Antineoplásicos.
1. Professora Adjunto do Departamento de Cirurgia Geral e
Especializada da Universidade do Rio de Janeiro (UNI RIO);
Mestre em Cirurgia Gastroenterológica pela Universidade
Federal Fluminense (UFF).
Recebido em 16/01/2007 Aceito para publicação em 20/03/2007
Conflito de interesses: nenhum Fonte de financiamento: nenhuma
Trabalho realizado no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle,
Rio de Janeiro- RJ.
INTRODUÇÃO
Nos trabalhos pioneiros em Imunologia, a imunidade achava-se
associada apenas com a proteção do indivíduo contra agentes
infecciosos.
Com o maior conhecimento da biologia molecular, celular e
imunogenética, o sistema imune passou a ser relacionado também
à homeostase, vigilância e tolerância imunológica.
Para que ocorra uma resposta imune satisfatória, há
necessidade de mecanismos específicos que dependem de uma
exposição prévia (processo feccioso, imunização ativa ou
passiva) e inespecíficos (mecanismos inatos que atuam após a
exposição inicial a substâncias estranhas).
Os linfócitos T são os responsáveis pela resposta celular, que
envolve o contato célula a célula com os diversos patógenos.
Neste caso entram em ação os linfócitos “helper” (CD4),
supressores (CD8), citotóxicos (CD8), células “killers” (K) e
“natural killers” (NK), além de macrófagos emonócitos. Os
linfócitos T originam-se na medula óssea, amadurecem no timo,
e durante o seu desenvolvimento os marcadores celulares
específicos de superfície são inseridos para identificar cada
tipo de célula1.
Todo este processo é controlado pelos hormônios tímicos e seus
produtos celulares (interleucinas e interferons).
A primeira referência da importância do timo na resposta imune
foi feita por White em 1949, sendo que somente na década de 60
foi isolada a fração imosina por Trainin.
2.
Os extratos tímicos são compostos de três diferentes hormônios
ativos isolados do timo, que são a timulina (fator tímico
sérico ou FTS), a timopoietina e a timosina a-1.
A timulina é um peptídeo hormonal obtido a partir de um lisado
ácido do timo de vitelo, que atua nas células T, B, NK
modulando a proliferação e iferenciação das células
progenitoras da medula óssea.
A timopentina é um derivado sintético da timopoietina, que
promove a diferenciação e proliferação das células T e a
produção de interleucinas.
Os melhores resultados do uso do extrato tímico são obtidos
sobre a imunidade celular, já tendo sido demonstrado que ele é
capaz de modular a produção, maturação e ativação dos
linfócitos T e macrófagos, além de estimular a conversão dos
timócitos imaturos em linfócitos T3 na medula óssea humana.
3. Nas células maduras ele aumenta o número e a função dos
linfócitos T4, a resposta à concavalina A e à
fitohemoaglutinina3, a hemopoiese, a produção de anticorpos, a
reatividade aos mitógenos tipo T, a competência de linfócitos
T para participar de culturas mistas, o efeito “killer” contra
as células
tumorais, a secreção de interleucinas pelos linfócitos T4-7, o
desenvolvimento da imunidade celular2,6.
Avaliação do Uso de Extrato de Timo em Pacientes com Neoplasia
Maligna 226 Garritano Rev. Col. Bras. Cir.
É descrito que a resposta imune é afetada pela ingestão
inadequada de alimentos e de álcool em excesso, traumas
físicos e emocionais, tabagismo, uso de drogas (esteróides,
narcóticos, barbitúricos, antibióticos), quimioterapia,
radioterapia, cirurgia, doença crônica8-12.
O uso de imunomoduladores visa a recuperação do sistema
imunológico minimizando os efeitos colaterais de diversos
tratamentos, além de garantir a proteção do indivíduo contra
vários agentes de diferentes origens. Inúmeras referências
mostram os resultados satisfatórios dos hormônios tímicos
sobre as doenças de origem viral7-12, neoplásicas13-19,
imunossupressoras17-22,23-29, além da ação na resposta
imunológica1,2,3,14,30. O objetivo do trabalho é avaliar se há
restauração da resposta imunológica de pacientes
imunossuprimidos após estimulação com a timulina.
MÉTODO
Este trabalho foi realizado no Hospital Universitário Gaffrée
e Guinle, no Rio de Janeiro, em 50 pacientes portadores de
neoplasia maligna, comprovada por exame histopatológico de
peça cirúrgica, sendo que 30 foram submetidos á quimioterapia
e/ou radioterapia complementar (QT/RT).
O estudo foi submetido e aprovado pela Comissão de Ética em
Pesquisa de acordo com a Resolução 196/96.
A imunoestimulação foi feita utilizando a timulina fornecida
pelo Laboratório Extratos Alergênicos Ltda, e registrada no
Ministério da Saúde com o número 1179.0005.001-1.
A timulina é um polipeptídeo dialisado de peso molecular
inferior a 10.000 daltons, obtido do timo de vitelo e
preparado segundo o método de Goldstein30,31. A substância foi
administrada por via subcutânea, na dose de 2 mg/ml, conforme
o esquema: Linfócitos totais até 500/mm3 = de 3 em 3 dias, por
três meses.
Linfócitos totais entre 500 e 1000/mm3 = 5 em 5 dias, por três
meses.
Linfócitos totais acima de 1000/ mm3 = de 7 em 7 dias, por
três meses.
Todos os pacientes realizaram hemograma completo e a avaliação
da relação de linfócitos CD4/CD8 antes de começar o tratamento
basal, os exames foram repetidos a cada três meses, para a
avaliação da dose a ser aplicada, até completar 12 meses.
Foram considerados para o trabalho os resultados basal, 6 e 12
meses dos leucócitos, linfócitos totais e relação de
linfócitos CD4/CD8.
Para a análise estatística nós utilizamos o software Graph Pad
Instat versão 3.0, San Diego Califórnia® e, para efeito de
interpretação, o limite de erro tipo I foi até 5% (p<0,05).
Os resultados foram apresentados como média + desvio padrão.
As variáveis foram testadas pelo método Kolmogorov and Smirnov
(KS), a inferência estatística foi feita pelos testes “t” de
Student de amostras ndependentes e pelo teste ANOVA one way,
para as três fases do tratamento, além do pós-teste de Tukey-
Kramer.
RESULTADOS
As principais características dos pacientes estão relacionadas
na Tabela 1.
Com relação à análise estatística, todas as amostras
apresentaram uma distribuição normal pelo método de Kolmogorov
e Smirnov.
Avaliando os valores basais (antes do uso da timulina) dos
leucócitos dos dois grupos, com e sem QT/RT, obtivemos as
taxas médias, respectivamente, de 5325,3 (+1259,78) e 6043,5
(+1753,35).
A análise pelo teste “t” de Student mostrou p=0,09, não sendo,
portanto, significativo.
Analisando as variações ocorridas nas taxas dos leucócitos dos
pacientes submetidos à QT/RT após seis me-Tabela 1 -
Características gerais da amostra estudada.
Características Valor extraído da amostra de 50 indivíduos
Sexo masculino 26% Sexo feminino 74% Idade 54,06 + 12,93 (55)
Variação de 28 a 77 anos.
Tipo de neoplasia Melanoma 26% Mama 28% Colon 26% Estômago 8%
Pâncreas 4% Outros 6% 2 tumores concomitantes 2% Cirurgia 100%
Com T/RT 60% Sem QT/RT 40% Valores expressos em média + desvio
padrão e (mediana).
Garritano Avaliação do Uso de Extrato de Timo em Pacientes com
Neoplasia Maligna 227 Vol. 34 - Nº 4, Jul. / Ago. 2007 ses de
uso do munoestimulante, observamos que 13 pacientes (43,33%)
apresentaram aumento do número de células, embora a média
geral tenha reduzido 0,25% em relação ao valor médio basal.
Entretanto, após 12 meses de tratamento, 25 pacientes (83,33%)
apresentaram uma expressiva elevação do número leucócitos,
epresentando um aumento de 22,39% em comparação ao valor médio
inicial.
A análise estatística com o teste ANOVA one way mostrou
significância destes resultados, e foram confirmados pelo
pós-teste de comparações múltiplas de Tukey-Kramer.
No Grupo que não fez uso de QT/RT 17 pacientes (85%)
apresentaram elevação das taxas das células aos seis meses e
18 (90%) aos 12 meses, em comparação ao valor basal.
Isto representou um aumento médio dos leucócitos de 9,20% e
20,63%, respectivamente em seis e 12 meses.
A análise estatística destes dados se mostrou significante
após 12 meses e na comparação entre 6 e 12 meses com o teste
“t” de Student, mas não com o de ANOVA one way. A Tabela 2
mostra as variações e análises estatísticas dos valores de
leucócitos nos grupos avaliados.
A mesma análise foi realizada com as taxas dos linfócitos
totais, e assim como na amostra anterior, os valores médios
basais não mostraram diferença significativa (p>0,05) no teste
“t” de Student, quando comparamos os grupos submetidos e não
submetidos à QT/RT. Nos resultados do grupo que fez QT/RT,
observamos que após seis meses de uso de extrato de timo, 19
pacientes (63,33%) apresentaram valores maiores de linfócitos
totais do que os iniciais, enquanto que depois de 12 meses
isto ocorreu com 27 casos (90%). Estes dados correspondem a
uma elevação dos valores médios de 6,93% nos primeiros seis
meses e de 32,41% aos 12 meses, em comparação com a taxa média
basal de linfócitos.
A análise estatística mostrou ser bastante significativa com o
teste ANOVA one way sendo confirmada pelo pós-teste de Tukey-
Kramer.
Ainda com relação aos linfócitos totais, analisando os dados
do grupo que não foi submetido à QT/RT, observamos que a
elevação dos valores das células ocorreu em 12 pacientes (60%)
depois de seis meses e em 17 (85%) aos 12 meses de uso de
timulina. Além disto, em dois casos (10%) este aumento foi
maior do que 100% após 12 meses quando comparado ao valor
inicial de linfócitos totais.
Os valores médios apresentaram um aumento de 7,45% após seis
meses de imunoterapia e de 22,25% após 12 meses.
A análise estatística desta amostra se mostrou muito
significativa com o teste ANOVA one way e com o teste “t” de
Student, especialmente após 12 meses.
A Tabela 3 mostra as variações e análises estatísticas dos
valores de linfócitos totais nos grupos analisados.
A avaliação dos valores basais da relação entre as
subpopulações de linfócitos CD4 e CD8 não apresentou diferença
significativa na comparação das amostras com e sem QT/RT
(p>0,05) na análise pelo teste “t” de Student, como nas
anteriores.
Analisando os resultados dos pacientes submetidos à QT/RT,
após seis meses de uso do extrato de timo, 20 pacientes
(66,66%) tiveram um aumento do valor da relação de linfócitos
CD4 e CD8, enquanto que após 12 meses isto aconteceu em 27
casos (90%). Comparando com o valor médio basal, estes dados
representam uma elevação de 4,81% após seis meses e de 31,02%
após 12 meses.
A análise estatística pelo teste ANOVA one way foi
extremamente significativa, e o teste “t” de Student mostrou
relevância após 12 meses e entre Tabela 2 – Variação dos
leucócitos nos dois grupos (com e sem QT/RT).
Com QT/RT Valor Sem QT/RT ValorMédia Média basal 5325,30
(+1259,78) basal 6043,50 (+1753,35) 6 meses 5312,00 (+1463,65)
6 meses 6599,50 (+1908,80) 12 meses 6517,66 (+1806,86) 12
meses 7290,00 (+1553,90) Teste t Teste t Basal x 6m p=0,96 (NS)
Basal x 6m p=0,34 (NS) Basal x 12 m p=0,004 Basal x 12 m
p=0,02 6 m x 12 m p=0,006 6 m x 12 m p=0,04 Teste ANOVA
p=0,003 Teste ANOVA p=0,08 Basal x 6m Basal x 6m Basal x 12 m
muito significativo Basal x 12 m não significativo 6 m x 12 m
6 m x 12 m Pós- teste Tukey-KramerPós- teste Tukey-Kramer
Basal x 6m p>0,05 (NS) Basal x 6m Não realizado por Basal x 12
m p<0,01 Basal x 12 m não ser significativo 6 m x 12 m p<0,01
6 m x 12 m pelo teste ANOVA Valores expressos em média +
desvio padrão, valor de p, (NS) não significativo.
Avaliação do Uso de Extrato de Timo em Pacientes com Neoplasia
Maligna 228 Garritano Rev. Col. Bras. Cir. 6 e 12 meses.
O pós-teste de comparações múltiplas de Tukey-Kramer confirmou
estes resultados.
Com relação aos resultados do grupo não submetido à QT/RT,
tanto aos seis como aos 12 meses, 13 pacientes (65%) obtiveram
um aumento do valor da relação CD4/CD8 em comparação com o
inicial. Aos seis meses os valores médios da relação de
linfócitos CD4 e CD8 apresentaram um aumento de 11,76% e de
28,82% aos 12 meses.
Mesmo tendo ocorrido estes aumentos a análise estatística não
se mostrou significativa (p>0,05) neste grupo com o teste “t”
de Student e pelo método ANOVA one way. Na Tabela 4 estão
relacionados os resultados obtidos na avaliação da relação
entre linfócitos CD4 e CD8 nos dois grupos e a análise
estatística.
Tabela 3 – Variação dos linfócitos totais nos dois grupos (com
e sem QT/RT).
Com QT/RT Valor Sem QT/RT Valor Média Média basal 1714,20
(+475,21) basal 1882,40 (+417,10) 6 meses 1832,93 (+493,31) 6
meses 2022,70 (+389,55) 12 meses 2269,80 (+723,70) 12 meses
2301,20 (+583,91) Teste t Teste t Basal x 6m p>0,05 (NS) Basal
x 6m p>0,05 (NS) Basal x 12 m p<0,01 Basal x 12 m p=0,01 6 m x
12 m p<0,05 6 m x 12 m p=0,05 Teste ANOVA p=0,008 Teste ANOVA
p=0,02 Basal x 6m Basal x 6m Basal x 12 m muito significativo
Basal x 12 m muito significativo 6 m x 12 m 6 m x 12 m Pós-
teste Tukey-KramerPós- teste Tukey-Kramer Basal x 6m p>0,05 (NS)
Basal x 6m p>0,05 (NS) Basal x 12 m p<0,01 Basal x 12 m p>0,05
6 m x 12 m p<0,05 6 m x 12 m p>0,05 (NS) Valores expressos em
média + desvio padrão, valor de p, (NS) não significativo.
Tabela 4 – Resultados da relação de linfócitos CD4 e CD8 nos
dois grupos (com e sem QT/RT).
Com QT/RT Valor Sem QT/RT Valor Média Média basal 1,87 (+0,85)
basal 1,70 (+0,79) 6 meses 1,96 (+0,63) 6 meses 1,90 (+1,08)
12 meses 2,45 (+0,64) 12 meses 2,19 (+1,08) Teste t Teste
Basal x 6m p=0,05 (NS) Basal x 6m p>0,05 (NS) Basal x 12 m
p=0,004 Basal x 12 m p>0,05 (NS)
6 m x 12 m p=0,004 6 m x 12 m p>0,05 (NS) Teste ANOVA p=0,0001
Teste ANOVA não significativo Basal x 6m Basal x 6m Basal x 12
m muito significativo Basal x 12 m 6 m x 12 m 6 m x 12 m Pós-
teste Tukey-KramerPós- teste Tukey-Kramer Basal x 6m p<0,001
Basal x 6m Não realizado por
Basal x 12 m p<0,001 Basal x 12 m não ser significativo 6 m x
12 m p<0,01 6 m x 12 m pelo teste ANOVA Valores expressos em
média + desvio padrão, valor de p, (NS) não significativo.
Garritano Avaliação do Uso de Extrato de Timo em Pacientes com
Neoplasia Maligna 229 Vol. 34 - Nº 4, Jul. / Ago. 2007.
Vale ressaltar que nenhum paciente referiu efeitos colaterais
com o uso do extrato de timo, assim como também não houve
relato da necessidade de interromper os ciclos de
quimioterapia ou radioterapia pelo número baixo de leucócitos,
linfócitos totais ou da relação entre linfócitos CD4 e CD8.
Os efeitos imunossupressores da terapia antineoplásica foram
minimizados com o uso da timulina.
DISCUSSÃO
A busca de melhores resultados em relação à taxa de sobrevida
e qualidade de vida dos pacientes portadores de neoplasias
malignas tem dado origem a vários trabalhos científicos.
Inúmeras publicações têm destacado o papel da imunoterapia
como mais uma opção terapêutica que visa a obtenção destes
resultados11-16,32-35.
A imunossupressão é uma condição comumente encontrada em
indivíduos com câncer, que acontece não só pela própria doença
como também pelo comprometimento do estado nutricional e
psicológico dos pacientes.
Aliado a isto, o tratamento das neoplasias malignas que
consiste basicamente na ressecção do tumor, quimioterapia e
radioterapia, também interfere significativamente no
funcionamento do sistema imune, que é essencial para a
recuperação do paciente.
Seria desta forma um somatório de condições que afetam
negativamente a resposta imune com chances de comprometer o
estado clínico do paciente. A manutenção da competência
imunológica é fundamental, especialmente, para que a
quimioterapia e a radioterapia não sofram interrupção em seus
esquemas de aplicação.
A imunodeficiência é normalmente expressa por leucopenia,
linfopenia, redução no número de células T e das subpopulações
CD4 e CD8, além da inversão na relação entre linfócitos T
helper e supressor.
É também descrito que o acometimento da imunidade celular, em
particular, está relacionado não apenas ao crescimento, mas
também à disseminação
da neoplasia32.
Todas estas alterações comprometem o funcionamento do sistema
imunológico levando a um estado de imunossupressão que
favorece ao parecimento de doenças oportunistas e infecciosas
causando impacto na resposta clínica do paciente. A associação
da imunoterapia, como adjuvante, visa à estauração do sistema
imune e à prevenção das complicações decorrentes da
imunossupressão.
Entre as diversas drogas imunomoduladores conhecidas, a
timulina é uma que se destaca, havendo várias referências da
sua aplicação no tratamento
de doenças não neoplásicas7,11,21, neoplásicas16,20,25, com
relatos maior tempo de sobrevida dos pacientes33 e remissão
tumoral36.
A timulina possui efeitos imunomoduladores quantitativos e
qualitativos sobre os linfócitos T, caracterizando a sua ação
sobre a imunidade celular.
Esta linhagem de células é a mais afetada nas doenças
malignas, sendo agravada com o uso da quimioterapia.
Como a timosina é capaz de induzir a maturação e diferenciação
dos linfócitos, ocorre uma melhora significativa em número e
função destas células no sangue periférico.
Este estímulo promove um efeito em cascata sobre as funções
das células B, macrófagos, aumento da produção de Interleucina-2
e do número de seus receptores de alta afinidade, aumento da
atividade das células natural killers (NK), da produção de
interferon-gama, um efeito restaurador do índice de
fagocitose, e aumento da capacidade lítica das células
efetoras1,2,4,6,16,22,23. Todos estes dados caracterizam a
função reguladora e moduladora da resposta imune produzida
pela timulina.
Neste trabalho observamos um aumento no número de linfócitos
em 90% dos pacientes submetidos à QT/RT e em 85% do grupo que
não foi submetido à QT/RT.
A normalização da relação entre os linfócitos CD4/CD8 foi
conseguida em 90% dos pacientes submetidos à QT/RT e em 65%
entre os que não fizeram QT/RT.
Estes resultados caracterizam uma restauração da resposta
imunológica, e estão de acordo com os estudos obtidos que
referem menor redução na relação de linfócitos CD4/CD8, menor
neutropenia, aumento significativamente maior no número de
células T, recuperação dos níveis normais de células T, além
de explorarem os possíveis efeitos protetores do extrato de
timo sobre a linfopenia induzida pela quimioterapia e
radioterapia.
Assim como é referido em vários trabalhos33,35,36, a
administração de timulina minimizou os efeitos colaterais
normalmente relacionados à imioterapia e radioterapia, não
havendo necessidade de interrupção destes tratamentos além dos
pacientes referirem maior tolerância ao uso de doses mais
elevadas das drogas antineoplásicas.
A timulina foi bem tolerada pelos pacientes não exibindo
nenhum efeito colateral, corroborando os dados referidos na
literatura16,20,33,35.
A análise destes resultados nos permite concluir que o uso da
timulina foi capaz de restaurar os níveis das células T,
equilibrar a relação entre as ubpopulações dos linfócitos CD4
e CD8, promovendo desta forma a recuperação da competência
imunológica.
Houve uma grande diminuição na incidência de mielotoxicidade e
os danos imunossupressores e colaterais induzidos pela terapia
antineoplásica foram reduzidos, não havendo necessidade de
interromper os ciclos destes tratamentos.
A timulina não exibiu nenhum efeito mutagênico e não mostrou
nenhuma toxicidade mesmo quando usada em altas concentrações.
AGRADECIMENTOS
A autora agradece ao Laboratório Extratos Alergênicos Ltda
pelo fornecimento da timulina, aos professores doutores
Ricardo Marques Dias e Maria Lucia Pires pela ajuda com a
análise estatística, a João Vargens e Helena Brascher pela
realização dos exames complementares, a Luiz Carlos de Castro
Pinto Garritano e Paloma Garrido pela ajuda na coleta e
formatação dos dados, a Regina Chaloub e Eduardo Friedman pela
revisão do texto em português e inglês, respectivamente.
Avaliação do Uso de Extrato de Timo em Pacientes com Neoplasia
Maligna 230 Garritano Rev. Col. Bras. Cir.
ABSTRACT
Background: To evaluate the action of thymus extract (Thymulin)
in patients diagnosed with neoplastic disease submitted to
surgery treatment, with and without adjuvant chemotherapy and
radiotherapy, comparing the results obtained in both groups
after 6 and 12 months of treatment. Method: Retrospective
study on 50 patients, with analyses on the variations of the
leukocyte count, total lymphocytes and CD4/CD8 lymphocytes
after 6 and 12 months after immunostimulation with Thymulin by
subcutaneous via. Results: In the group submitted to QT/RT,
there was an increase in the number of total leukocytes in 13
cases (43.33%) after 6 months and in 25 cases (83.33%) after
12 months. Regarding the number of lymphocytes, after 6 months
of thymus extract use, 19 patients (63.33%) presented higher
levels of lymphocytes, and after 12 months, this occurred in
27 cases (90%).
The CD4/CD8 lymphocytes ratio demonstrated an increase after 6
months, in 20 patients (66.66%) and, after 12 months in 27
cases (90%).
All these data presented statistical significance with the
ANOVA test, being p=0,003 for the number of leukocytes,
p=0.0008 for the number of total hocytes and p<0.0001 for the
CD4/CD8 lymphocytes ratio.
Regarding the group that was not submitted to QT/RT, the
increase in leukocyte levels occurred after 6 months in 17
patients (85%), and after 12 months in 18 (90%).
In 2 cases (10%) the leukocyte levels increased over 100%
after 12 months. The number of lymphocytes increased in 12
patients (60%) after 6 months, and in 17 (85%) after 12 months.
The CD4/CD8 lymphocytes ratio grew both after 6 and after 12
months in 13 patients (65%).
The statistical analysis of this sample proved to be important
in the evaluation of the leukocytes and total lymphocytes with
Student’s t-test after 12 months , and it was very significant
(p=0.02) concerning the total lymphocytes count made with the
ANOVA test. The analysis of the variations in the CD4/CD8
lymphocytes ratio levels was not significant, even though,
there was an increase on those values. It was not necessary to
interrupt de QT/RT cycles and no patient complained about
intolerance in using Thymulin. Conclusion: The use of Thymulin
associated with QT/RT was capable of restoring and keeping the
immune response in control and reducing the immunosupressor
and collateral damages induced by antineoplastic therapy
without any side effects.
Key words: Thymus extracts; Neoplasms; Antineoplastic agents.
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citar este artigo: Garritano CR. Avaliação do uso de extrato
de timo (timulina) em pacientes com neoplasia maligna
submetidos ao tratamento cirúrgico. Rev Col Bras Cir. 2007;
34(4). Disponível em URL:www.scielo.br/rcbc Endereço para
correspondência:Célia Regina de Oliveira Garritano Praça Saens
Pena, 45/1410. Tijuca. 20520-090 - Rio de Janeiro - RJ.
Telefone: xx (21) 2264-5552. e-mail: cgarritano@oi.com.br
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